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Keep Young & Beautiful

    Fernanda Young irrita. Ela sabe disso e tira proveito do assunto em seu programa dominical no GNT.
    Conheço Fernanda há muito tempo. Tipo de pessoa que já nasce sendo. Eu era caixa da boate Crepúsculo de Cubatão no Rio de Janeiro e ela já era a rainha do lugar. Chegava, magnetizava, centralizava. Nasceu musa e polêmica. Nesse tempo ela tinha apenas 16 anos e sabia tudo: entrava em qualquer assunto sem parecer uma amadora. E assim nos conhecemos. Eu, preso a milhões de limites e moralismos. Ela, livre, leve e solta.
    Vim para São Paulo antes dela com a certeza de que esta cidade estava fadada a nos receber para sempre pela perfeita sintonia entre os nossos interesses e o que a cidade tem pra apresentar. Típico caso da cegonha que se enganou. Éramos intensos demais para rimar apenas praia e sol.
    Fernanda chegou por aqui de mansinho:  primeiro virou persona grata nas rodas de amigos de seu marido Alexandre Machado (importante publicitário e hoje uma das cabeças mais brilhantes da televisão brasileira, a série "Os Normais" não me deixa mentir). Em seguida, começou a lançar periodicamente seus livros sempre com ótima aceitação. Mas tudo isso era pouco e ela sempre quis muito, mesmo parecendo ser modesta como diz Caetano, e hoje é atriz, apresentadora,escritora e redatora de seriados e filmes.
    Um dia Fernanda me ligou e disse: vou fazer um programa no GNT e queria que você fosse meu convidado no programa piloto. Eu disse sim e estava certo: seu programa poucos meses depois entrava no ar e assim se mantém até hoje com muito sucesso e polêmica.
    Fernanda veio para perturbar a ordem mundial. Seu comportamento e seu visual estão bem longe de parecerem normais. Tem gente que ama. Tem gente que odeia. Muito. Nunca reações em doses homeopáticas. Essa semana fui até o programa gravar minha entrevista. Foi hilário. Foi emocionante. Rever minha amiga em estado de glória e passar a limpo o passado, o presente e o futuro. Foi mais que bom. Agora é esperar para ver. Nesse domingo 12 de Julho estaremos os dois no ar. O trampolim terá sido a nossa amizade.




Release CD

Começar pela letra Z.
Zé Pedro é um ser de definição quase encantada, como todos os seres que decidem assinar seus nomes pela última letra do alfabeto.
A letra “Z”, no andamento dos vocábulos ocidentais, foi o último símbolo acrescentado ao alfabeto.
Claro que sabemos que o nome dele vem de “José”, mas isso entrou há tempos numa escala Z do não-vale.
Pra quê? Nada mais Z do que perguntar isso.
Então voltamos a Zé Pedro.
Z soa como zumbido, zoada, zorra, zás-trás.
Z é um som fricativo e uma letra nunca normal.
Ponto Z.
Z de zum-zum.
Z de zoom.
 
Zé Pedro sobrevoa o país desde a fase dos chapéus malucos na tevê até alcançar hoje o posto de maior produtor de trilhas e de DJ com entrada liberada em qualquer lance criativo. Portas livres, janelas abertas, chapéus ao vento.
 
Zé Pedro se construiu como personagem. Por detrás do Zé risonho, zilhões de voltz, válvulas, agulhas, pick-ups e fortalezas. Sua caverna é uma caixa de som cheia de cantoras. Algumas baixam. Outras ele levanta, alicia, envolve, refaz, afia, embala, engrandece. E chega de preâmbulos.
 
Falar agora do techno-sacerdote Zé Pedro.  “Mas falar o quê?”, reclamam suas divas escolhidas, pulando em seus saltos-altos ou em gravações pouco divulgadas. Ele agora volta a atacar o mulherio da MPB, lançando outro CD de remixes sobre interpretações que escolheu como integrantes de seu hinário particular. Tal qual um químico que se diverte em misturar poções de cores diferentes, Zé Pedro pega uma canção, tasca chuvas de loopings, sacode BPM nos andamentos, reveste as músicas com sonoridades jamais pensadas em suas produções originais, cria efeitos mirabolantes e finaliza com um componente mágico que ele não dá a receita a ninguém – nem mesmo se Maria Bethânia se ajoelhasse a seus pés, suplicante, soluçante. Zé Pedro cria misturações químicas, cianuretos e beijocas, balança quadris inesperados, levanta cabelos & olhos tortos & saudades.
 
O resultado do trabalho é puro fetiche, puro feitiço: tudo começa a se mexer, tudo começa a bailar: cantoras, microfones, decotes, pistas, platéias, parentes, fãs-clubes, laquês, partituras, estantes, instrumentos, matrizes, caixas de som. Ventilador na potência máxima. Orelhas receptivas. Algo de inolvidável no ar. Ora, é o som do Zé Pedro.
 
Dessa vez entra em campo um mix de cantoras que ninguém pensaria misturar nem em delírio. Mas ele gosta da pororoca, do zigue-zague, do contraste vociferador. Sacode a poeira com Marisa Monte, traz Elis Regina para as pistas, põe a mão nas cadeiras com Alcione, libera o compasso de Ângela Rô Rô, cutuca Maysa com eletricidade, liga a tomada de Maria Alcina no 220 , traz fôlego novo para Cássia Eller, aplica asas nas costas de Zélia Duncan, coloca Nara Leão para saracotear, rodopia com Fafá de Belém, joga Fernanda Takai na esquina do ritmo, tira Célia do sério,dá um banho de pirlimpimpim em Mart’nália e faz Beth Carvalho flutuar/festejar no espaço sideral da alegria.
 
Em tempo: o nome do CD, “Essa Moça Tá Diferente!” faz referência a um samba antigo/ homônimo de Chico Buarque. Que, aliás, é o compositor favorito das mulheres que cantam. Assim como Zé Pedro é o (re)feitor predileto das cantantes brasileiras. Então vamos deixar que ele, o cientista da MPB, toque. E pedir que elas abram os seus gogós.
Afinal, ele ama essas moças, garotas, mulheres, divas.
Afinal, ele crê que as divindades da música brasileira jamais serão diluições.
Afinal, ele venera estilos, levanta tumbas, bate tambor, busca tambor, tamborila.
Ele é tambor.
Tambor.
Zé Pedro remexe.
Zé Mix.

Eduardo Logullo, Maio 2009



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