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Cordeira de Deus no Reinado do Som

Ná Ozzetti é a musa da nova geração sampa midnight. A partir disso, é completamente normal que alguns dos principais expoentes dessa turma passassem pra dar um beijo salvador em seu novo álbum “Embalar” onde ela confirma (mais uma vez e sempre) ser dona de um registro vocal único aliado a um repertório ímpar dentro da historia da música brasileira.

Durante alguns anos, Ná exercitou outras possibilidades discográficas em projetos temáticos que homenagearam Rita Lee (“Love Lee Rita”) e Carmen Miranda (“Balangandãs”) além de revisitar o passado da MPB (“Show”) e dividir o palco com o pianista moderno/clássico André Mehmari. Confesso que nesse período fiquei com saudade da sua loucura minimalista e de suas harmonias inéditas sempre a serviço de letras inesperadas. Portanto, em 2011, quando ela lançou o álbum “Meu Quintal” foi reveillon aqui em casa. Estava de volta a cantora que me apresentou a música de São Paulo quando aqui cheguei e fui à loja mais próxima comprar “Ná” de 1994, espécie de passaporte para a minha conexão com Itamar Assumpção e Luiz Tatit. “Meu Quintal” trazia aromas desse passado misturados a ideias e parceiros novos com destaque para a guitarra envenenada de Mario Manga que apontava sinais roqueiros que encontram melhor espaço agora em “Embalar” que tem a participação da nova jovem guarda da garoa (Tulipa Ruiz, Kiko Dinucci e Juçara Marçal) e tantos outros admiradores confessos de sua música como Mônica Salmaso.

“Embalar” confirma a cesta básica de signos musicais de Ná Ozzetti e atravessa novas veredas em canções como “Lizete” que faz o encontro utópico entre Adoniran Barbosa e o grupo Rumo e as duas faixas que encerram o disco em ritmo de pop atual, “Os Enfeites de Cunha”, que lembra as novidades vindas do Pará e “Prá Começo de Conversa” que poderia perfeitamente estar no álbum “Tudo Tanto” de Tulipa, sua parceira nessa canção.

De resto, é Ná Ozzetti. A mais perfeita afinação a serviço de uma divisão única na hora de entoar os versos de uma melodia. “Embalar” é item básico para seus eternos ouvintes além de dar um passo em direção aos novos e (possíveis?) desavisados a cerca dessa que é uma das maiores cantoras desse país. Pode empacotar, levar e abrir.