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Hoje Eu Tenho Que Chorar

No Brasil existe um rei negro chamado Milton Nascimento.

Essa frase é pronunciada nos quatro cantos do mundo porque a obra desse mineiro soberano já atravessou todos os mares, percorreu todos os continentes sem na verdade nunca ter tirado Milton de Três Pontas, cidade que o acolheu. E é aí que reside o preciosismo de sua música:atingir a tudo e todos mantendo o viço de sua raiz fundamental.

Na ultima noite me dediquei a assistir o DVD "Uma Travessia - 50 anos de Carreira" e constatei que um registro visual da musica de Milton Nascimento às vezes até atrapalha a nobreza de sua arte. Sao tantas imagens que projetamos em nossas mentes ao ouvirmos suas melodias , que nada parece satisfazer aos olhos quando somente nos deparamos com um cenário (ainda que bonito),  musicos (ainda que extraordinários)) e a figura tímida de Milton no centro do palco. Queremos sempre mais. Queremos montanhas, vales, céu aberto e, quem sabe até, um grande amor por perto. E foi assim que repletos dessas teorias,  me derramei em lagrimas ao final de cada canção do roteiro e me peguei feito louco, sozinho numa sala, aplaudindo freneticamente cada nota saida da garganta desse verdadeiro deus da música. 

Com um repertório bem dosado entre sucessos ("Maria, Maria", "Nos Bailes da Vida") e pérolas escondidas ("Promessas do Sol", "Sofro Calado"), o show cumpre a meta de abranger todos os periodos da carreira de Milton inclusive dando grande espaço para  a participação de Lô Borges, seu companheiro de Clube da Esquina, que tem varios momentos de brilho individual como "O Trem Azul" e "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", que levam a plateia ao delirio muitas vezes associado ao saudosismo de  um periodo de extrema riqueza da nossa musica brasileira.

Ao voltar para o bis, Milton deixa os versos de  sua "Canção da América"nas mãos do povo e se cala  diante da multidão a sua frente. E claro que depois ainda surgem "Coração de Estudante" e a emblemática "Travessia" selando o pacto com seu público fiel e agradecido tomado de grande emoção.

E chego ao fim desse texto entre canções e momentos, paixão e fé, encontros e despedidas. Milton Nascimento faz parte da minha vida como cidadão desse pais e da minha historia de menino, aquele que um dia pediu ao pai o disco "Geraes' e descobriu o cantor da sua vida. Obrigado, Milton Nascimento. Sonhos realmente não envelhecem.