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Puro Teatro

Sim, eu fui dos primeiros a conhecer a voz de Filipe Catto. Numa dessas surpresas que a internet costuma nos pregar, Filipe surgiu na tela do meu computador em tempo real fazendo uma apresentação em 2010 e de cara me impressionei com tamanha segurança ao atravessar caminhos tão diversos como uma canção de Marianne Faithfull ou um bolero rasgado de Ataulfo Alves. E foi assim, no auge da minha tietagem, que nos encontramos pessoalmente. Ele seguro de si e eu em estado de transtorno progressivo, querendo leva-lo imediatamente para um estúdio de gravação mais próximo. E tanta coisa aconteceu com sua música depois disso, tantos acertos, tantos passos em falso que quase confundiram meu coração de ouvinte apaixonado. E foi essa semana que me preparei para assistir ao primeiro DVD desse pequeno grande homem cujo o título tem caráter biográfico: “Entre Cabelos, Olhos e Furacões” e constatei que suas ambições permanecem ali: o grande interprete das canções alheias, o compositor ainda imaturo mas já capaz de grandes sacadas como “Adoração”, o garoto generoso com os colegas de geração, levando a composição de Pélico (“Sem Medida”) e a voz de Blubell (Johnny, Jack & Jameson)  para as multidões que já acumula nos teatros que habita. E claro, como na vida tudo tem seu preço e seu valor, Filipe comete dois afagos perigosos em sua gravadora Universal ao registrar a versão pouco original de “And I Love Her” escrita por Roberto Carlos lá nos primórdios e uma balada da fase irremediável de Simone chamada “Quem é Você’. Mas não se assuste. Logo Catto recupera o fôlego ao resgatar um clássico de Nei Lisboa (“Rima Rica Frase Feita”) ou iluminar um achado poético de Alice Ruiz e Alzira E (“Mergulho). Um frequente "morde e assopra" que denuncia sua vontade extrema de não pertencer a nenhuma gangue musical. O cenário repleto de luzes é moldura perfeita para os movimento e gestos desse cantor que se aproxima do risco da palavra “over” ao mesmo tempo que demonstra para o grande publico ser a voz mais importante de sua geração em momentos como "Luz Negra" e "Ave de Prata". Dessas nítidas oposições vive a saga de Filipe Catto. Um coração sangrando ate enlouquecer. Para os grandes comércios Filipe Catto está pronto, para os mais atentos, restam dúvidas. De frente para esse percurso feito de dois caminhos, ele segue em frente e eu escrevo esse texto cheio de paixão e fé. Até a próxima, Filipe.