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A Cada Compasso Um Cenário

 E chega às lojas a trilha sonora de um filme que não existe. “Trabalhos Carnívoros” de Gui Amabis causa efeitos cinematográficos urgentes em seus ouvintes e decididamente não é um álbum para se ouvir no escuro do quarto. Pede locações e personagens.

    Andando pelas ruas de São Paulo com o disco na orelha, virei videomaker imaginário, inventando cenas e criando clipes, entretanto, muito longe do perturbador “Pena Mais Que Perfeita” estrelado por Daniel de Oliveira e dirigido por Julio Andrade e Rafael Grampá que é a mais completa tradução da faixa 4 do disco e que já está disponível no Vimeo. Nunca imagem e som foram tão felizes para sempre.

    Gui Amabis é um cara de cinema. Trabalha com a sétima de arte desde sempre, compondo temas para diretores como Heitor Dhalia, Cao Hamburguer e tendo como parceiros outros músicos inspirados como Beto Villares e Dengue. Dessas experimentações nasceram, em 2011, o grande “Memórias Luso/Africanas” que tiveram participações importantes como Criolo, Tulipa Ruiz e Céu, entre outros. Naquele momento ampliei meu foco e fiquei atento. “Memórias...” tocou muito aqui em casa e foi indicado como essencial para amigos e afins.

    Feito de sonoridade densa e letras que falam de amor e dor com muita inspiração, “Trabalhos Carnívoros” é certeiro no que se propõe. Gui compõe pequenas sinfonias dramáticas sem soar piegas ou pretensioso, tendo como resultado um falso lago de águas tranquilas onde a qualquer momento fortes precipitações musicais podem acontecer como é o caso de “Consulta Mental” um soco inesperado no estômago perto do final do disco.

    Os arranjos são divididos entre o próprio Gui, Regis Damasceno, Dustan Gallas e seu irmão Rica Amabis gerando uma unidade musical absurda que transforma o álbum numa das sete maravilhas do ano de 2012 (as outras seis é com você !). E, apesar de sua forte experiência como músico, Gui revela-se o tempo todo como um grande cantor ao longo do disco. Sua voz grave e quente é, na maioria das vezes, o primeiro acorde, dispensando as manjadas introduções instrumentais.

    Então, vamos ao disco. Está na internet para baixar de graça, encontra-se à venda nas grandes lojas, enfim, disponível de todas as maneiras que há para se poder chegar até ele. Agora é com você. “Trabalhos Carnívoros” é para ser devorado.

Banquete-ê-mo-nos.