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Mein Herr

    Thiago Pethit trancou literalmente seu público num campo de concentração na noite desse sábado no Sesc Pompéia. Uma concentração de amor e fúria, de inteligência e emoção. Feito o grande irmão de “1984” de George Orwell, ele praticou sua doutrina musical levando 800 pessoas ao delírio. E a temperatura subiu literalmente no palco e na plateia com um calor senegalês que acontecia no recinto e que só aumentava a onda de tesão e paixão que emanava de Pethit.

    Trazendo para a cena basicamente o repertorio de seu novo disco “Estrela Decadente”, Thiago deu ainda mais provas de sua sofisticação ao cantar três clássicos do passado numa concepção totalmente pessoal e intransferível: “De Cigarro em Cigarro” (uma dor de cotovelo dos anos 50 conhecida na voz de Nora Ney), “Love, Try and Die” de Jards Macalé e um Assis Valente (“Good-Bye, Boy”) que virou autêntico Bertolt Brecht em sua voz. Além disso, Thiago ilumina e traz para seus súditos tão jovens, o poder atemporal da cantora Cida Moreira que entra no palco no primeiro bis e arrebata desavisados ao mesmo tempo que  arranca lágrimas de seus discípulos nos duetos “Speak Low”, “Bilbao Song” e “Surabaya Johnny”.

    Thiago Pethit é um garoto esperto. Sabe tirar proveito de suas limitações e aproveita todos os espaços para manifestar-se artisticamente como um todo. Debocha do chavão que tanto maltrata a nossa música (“tira o pé do chão!”), contesta com veemência a frase com que Marisa Monte causou tanto furor em seu último show (“amar é simples”), projetando no fundo do palco sua própria verdade: “amar é foda”. E ao ser chamado de lindo por meninas desesperadas na fila do gargarejo, rebate polêmico: “eu sou é linda !”.

    Os figurinos de Pethit e sua banda também são um caso a parte dentro do show. Vestindo um macacão de foragido de um manicômio, penitenciária ou fábrica (você decide!), a imagem de Thiago lembra incessantemente a silhueta esguia de David Bowie no meio dos anos 70 onde sua androginia deu lugar a uma alfaiataria estranhamente elegante. A banda também surpreende com uniformes militares que dão ao show como um todo essa cara de Berlim dos anos quarenta.

    Thiago Pethit é (como ele próprio se define) um artista totalmente independente dos grandes esquemas: gravadoras e empresários não atingem o seu bunker. Sua liberdade musical é cumprida em grande estilo e cada vez mais alcança seu ideal. Se essa estrela é decadente que seja cada vez mais divina essa decadência. Thiago Pethit é o cara. Fique de olho nele.