HOME BIO DISCOGRAFIA LIVRO REMIX E TRILHAS TEXTOS GALERIA LINKS CONTATO


80 Discos Para Ouvir Antes de Viver

 

 

 

1) Adriana Calcanhotto – Senhas (1992)

Título mais que apropriado para esse segundo disco da cantora gaúcha que chegou ao mercado com um primeiro álbum confuso e sem a inteligência musical que já transparece aqui. Elegante, minimalista e fundamental

 

 

 

2) Alaíde Costa – Coração (1976)

Para quem não conhece, pense em Nina Simone. Para quem é fã, sabe que aqui está uma cantora que nunca abriu mão da qualidade em seu repertório. Um disco/aula que deveria ser obrigatório para muitas cantoras de hoje.

 

 

 

3) Alcione – A Voz do Samba (1975)

Descubra aqui, no primeiro disco da Marrom, porque é considerada até hoje uma das maiores sambistas do Brasil. Ela sabe tudo.  Canta muito. Nobody does it better.

 

 

 

4) Ângela Rô Rô – Ângela Rô (1979)

Cantora, compositora e pianista que não pede perdão por seus pecados. Sua vida polêmica poderá transformar-se sempre em belas canções de amor jamais ouvidas. Ponto de referência.

5) Antônio Carlos Jobim – Matita Perê (1973)

Tom Jobim não deveria constar em listas. Deveria ser tema obrigatório nas escolas. Não dá para entender o Brasil sem conhecer sua obra. E ponto final.

6) Arnaldo Antunes – Iê Iê Iê (2009)

O grande titã da poesia moderna. Dono de uma voz que assusta ao mesmo tempo que soa tão doce, Arnaldo acerta em cheio quando se mistura com a nova geração do rock nesse álbum eletrizante que revisita a Jovem Guarda e a música brega dos anos setenta com muita personalidade.

7) Astrud Gilberto – Beach Samba (1966)

Inicialmente apenas a esposa de João Gilberto, grava quase que por acaso a canção Garota de Ipanema e se torna a musa eterna e mundial da bossa nova.  Seus discos são disputados em sebos e afins. De sua vida particular ninguém sabe.

8) Bebel Gilberto – Tanto Tempo (2000)

Um orgulho nacional. O mundo deseja e aplaude sua música . Na virada do milênio, Bebel Gilberto depois de muito tempo de estrada e várias tentativas profissionais, chega ao seu lugar merecido com esse disco que é o ponto de partida na cena eletrônica cool brasileira.

 9) Belchior – Alucinação (1976)

No país da amnésia cultural, Belchior há pouco tempo foi lembrado em horário nobre por ter desaparecido do Brasil. E sua música ? E seus discos ? Vamos começar por esse aqui. Eu prometo que depois de ouvi-lo ele nunca mais vai desaparecer da sua vida. 

10) Beth Carvalho – Andança (1969)

Beth Carvalho é sinônimo de samba e alegria. Por isso seu primeiro disco, cheio de canções românticas e suaves, é fundamental para entendermos que, se ela quisesse, também poderia ser uma deliciosa intérprete da MPB.

11) Beto Guedes - Amor de Índio (1978)

Quem não se enrolou num cobertor em volta de fogueira e cantou uma música de Beto Guedes que atire a primeira pedra. O medo de amar é o medo de ser livre. Ouça já.

12) Caetano Veloso – Qualquer Coisa (1975)

Como escolher um álbum de Caetano Veloso ? Decidi por esse clássico dos anos setenta que mistura as referências que o acompanham até hoje: o passado fundamental, o presente essencial e o futuro que ele sabe apontar como ninguém dentro da música brasileira.

13) Cássia Eller – Com Você Meu Mundo Ficaria Completo (1999)

Com a morte prematura de uma das intérpretes mais autênticas que o Brasil já teve, vieram as cópias. Mas não se engane: só Cássia Eller é a original. Ouça esse disco e compare.

14) Cazuza – Barão Vermelho 2 (1983)

Ídolo de toda uma geração. Um poeta sem censura que deixou uma obra irrepreensível. Esse segundo álbum do Barão transpira vigor e tesão. Letras maliciosas acompanhadas pela guitarra feroz de seu parceiro Frejat. Artigo de primeira necessidade.

15) Céu – Vagarosa (2009)

Mulher é o que não falta na MPB. E são muitas querendo um lugar ao sol. E foi exatamente essa paulista, de temperamento cool e som minimalista, que foi eleita como uma das grandes de sua geração. Avessa às exposições gratuitas da mídia, Céu chega ao segundo disco, segura de seu lugar conquistado.

16) Chico Buarque – Construção (1971)

Discípulo direto de Noel Rosa, Chico volta da Itália disposto a contestar o poder autoritário e violento que se instalou por aqui. Se deu mal. Se deu bem. Constrói a partir desse disco uma obra que conta a história do Brasil.

17) Cibelle – The Shine of Dread Electric Leaves (2006)

Nesses tempos de falta de talento e urgência de acontecer, Cibelle é um oásis no meio do deserto. Corajosa, primal e contemporânea, ela faz o que quer com sua música. Inicialmente mais uma integrante da tribo eletrônica do produtor Suba, nesse segundo disco ela dá um salto qualitativo que quase não podemos alcançar. Ainda bem.

18) Cida Moreyra – Summertime (1981)

A rainha dos loucos , a diva dos gays, a musa dos cabarés. Adjetivos que qualificam essa cantora paulistana que não tem governo nem nunca terá. Gravado ao vivo e dirigido por José Possi Netto, esse é  um disco emblemático e fundamental.

19) Clara Nunes – As Forças da Natureza (1977)

A rainha do samba que começou sua carreira atirando em diversos estilos musicais até atingir o alvo principal, chega ao meio dos anos 70 com esse disco maduro que mistura religiões, raízes e grandes compositores.

20) Djavan – Alumbramento (1980)

Conhecido como eterno campeão de vendas, Djavan é bem mais que isso. Suas letras e harmonias supostamente simples revelam um músico arrojado e moderno . Esqueça o que você já conhece de sua obra. Procure pelo que você ainda ouviu . Aqui está um bom exemplo: um disco hermético e nítido ao mesmo tempo.

21) Dóris Monteiro – Dóris (1971)

Dona de um suingue único, Dóris tem cara de samba-rock mas vai bem mais além. Sabe ser muitas numa só intérprete. Como podemos confirmar nesse álbum que mistura samba de breque com Caetano Veloso e a poesia de Vinícius de Moraes.

22) Edu Lobo – Cantiga de Longe (1970)

Edu Lobo é um maestro soberano. Compositor de belas melodias,tem ao seu lado importantes letristas. Um imponente músico dono de uma voz grave emocionante. Nesse álbum ele alterna temas instrumentais com pérolas da poesia brasileira como Cidade Nova.

23) Elba Ramalho – Capim do Vale (1980)

Uma mulher que veio do agreste para tomar de vez o sul maravilha. Descabelada, de voz rascante e pernas de fora, até hoje ninguém sabe catalogar Elba Ramalho. Ainda bem. Nesse segundo disco ela ainda aparece em estado natural antes de virar a Tina Turner brasileira.

 

 24) Elis Regina – Essa Mulher (1980)

A maior cantora do Brasil se apresenta aqui madura e dona de um repertório potente que mistura Cartola, Baden Powell, Joyce e João Bosco. Nada mais a ser dito.

25) Elizeth Cardoso – Canção do Amor Demais (1958)

Maas afinal porque a pedra fundamental da bossa nova é um disco de Elizeth Cardoso? A resposta para essa pergunta está na versatilidade e sofisticação dessa cantora que sempre foi considerada “A Divina” por todos. Uma cantora do tempo da delicadeza. Procure por ela.

26) Elza Soares – Do Cóccix Até o Pescoço (2002)

A mulher negra e favelada que venceu todas as barreiras, nunca se deu por vencida. Esse disco lançado no começo do novo milênio prova que Elza Soares não tem idade nem estilo. Uma sambista pop brasileira.

27) Erasmo Carlos – Sonhos E Memórias (1972)

Erasmo não é parceiro de Roberto Carlos. É muito mais que isso. Mergulhe em sua discografia e vai achar um compositor inspirado e de alma eternamente jovem, que o diga Marcelo Camelo e Marisa Monte seus discípulos musicais. Comece por essa pérola dos anos setenta que eu indico aqui.

28) Fafá de Belém – Tamba Tajá (1976)

Fafá enfrenta governos e preconceitos com sua risada escancarada e sua voz única. Aqui em seu primeiro disco, os sinais de sua coragem musical e pessoal já ficam evidentes. Mistura mitos e lendas de sua terra natal com dores de amores e se dá bem.

29) Fagner – Manera Fru Fru Manera (1973)

Antes de ser arrastado pelo gosto popular, Fagner era uma potência musical que atraiu para si todos os olhares. Elis Regina. Nara Leão e Roberto Carlos foram os primeiros a pressentir sua importância. Depois .,...aí já é outra história. Seu primeiro álbum é um exemplo de coragem e inteligência. Uma voz árida que o Brasil aprendeu a amar.

30) Fernanda Takai – Onde Brilhem Os Olhos Seus (2007)

Quando uma cantora pertencente a uma banda de rock resolve cantar a obra de Nara Leão a gente tem que aplaudir. Um disco inesperado e eterno.

31) Francis Hime – Passaredo (1977)

Maestro do naipe de Tom Jobim e Edu Lobo, Francis tem uma obra de dar orgulho. Durante muitos anos foi o principal parceiro de Chico Buarque, como podemos verificar nesse álbum que tem duas obras primas dessa dupla: Passaredo e Trocando em Miúdos.

 

 32) Frenéticas - Frenéticas (1977)

Quando as discotecas invadiram o mundo, o Brasil não quis ficar de fora e aí surgiram As Frenéticas, um bando de malucas cheias de beleza e talento que gravaram esse primeiro disco com a benção de Nélson Motta e Rita Lee. Abra suas asas, solte suas feras. Ainda dá tempo.

33) Gal Costa – Água Viva (1978)

Aos 33 anos de idade e quase dez de carreira, Gal Costa encontra a fórmula do sucesso: um repertório sofisticado que atinge o popular e leva sua música rumo às grandes vendagens. Um disco fundamental.

34) Gilberto Gil – Expresso 2222 (1972)

Recém chegado de um exílio forçado em Londres, Gil apresenta nesse trabalho a síntese de suas influências: mistura Jackson do Pandeiro, com Banda de Pífaros de Caruaru, música pop com sua poesia afiada. E assim tem sido. E sempre será.

35) Hyldon – Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (1975)

Hyldon fez o povo brasileiro delirar com suas baladas de amor. Foi sucesso absoluto nas rádios. Caetano Veloso cantou Na Sombra de Uma Árvore num show e o grupo Kid Abelha, muitos anos depois, emplacou novamente a canção que dá nome a esse álbum clássico dos anos 70.

36) Ivan Lins – Nos Dias de Hoje (1978)

Antes das canções açucaradas de novela, Ivan Lins foi um compositor articulado dentro da ditadura. Sua obra gravada por Elis Regina não deixa dúvidas disso. Nesse álbum aparecem suas entradas e bandeiras políticas.

37) João Bosco – Galos de Briga (1976)

João Bosco e seu parceiro Aldir Blanc através de metáforas e recados diretos, enfrentaram de frente os anos de chumbo desse país.  Uma bíblia para se entender o Brasil desse período.

38) João Donato – Quem é Quem (1973)

Segundo especialistas, ele é o verdadeiro pai da bossa-nova e eu assino embaixo. Além disso, João Donato é pop e adora se misturar com galera jovem por isso sua obra nunca envelhece. Nesse álbum aparecem vários de seus sucessos enfileirados como A Rã e Até Quem Sabe

39) João Gilberto – João (1991)

Quando o grande mito da bossa nova resolve dar sinal de vida, todos correm para ouvir. E foi assim com esse álbum de João. Mais do mesmo. Tudo novo de novo.

40) Jorge Ben – Jorge Ben (1969)

Jorge Ben deveria ser verbete de dicionário. Sua música não tem comparação. Seu estilo é único. O dono do samba esquema novo. Esse disco influenciado diretamente pelos tropicalistas é uma bagunça deliciosa que Jorge soube dar ordem e progresso.

 

41) Karina Buhr – Eu Menti Prá Você (2010) 

Karina é o maior exemplo de como existe gente louca e genial espalhada por esse país. Cantora despreocupada com afinações dentro de um corpo de atriz que não interpreta personagens pré-estabelecidos, Karina veio para confundir e entrou no mercado dando um pontapé na (sempre) porta fechada das grandes gravadoras. Uma diva do final dos tempos.

42) Luiz Gonzaga Jr – Luiz Gonzaga Jr. (1973)

O compositor da alma feminina dos anos oitenta teve, antes e depois disso, uma obra política potente e indignada que fez história. Bons exemplos aparecem aqui nesse disco: Moleque e Comportamento Geral

43) Luis Melodia – Pérola Negra (1973)

O moderno malandro carioca desceu o morro pelas mãos do poeta Waly Salomão e ganhou a cidade. Dono de uma personalidade única tanto na composição quanto no registro vocal. Uma maravilha contemporânea. Esse seu primeiro disco apresenta as peças que Melodia movimenta no tabuleiro até hoje com primazia.

44) Lulu Santos – Tempos Modernos (1982)

O rei do pop. Não existe rock brasileiro sem ele. O midas das rádios e gravadoras. Com todos esses adjetivos ainda não fiquei satisfeito: Lulu Santos é Lulu Santos. Nesse seu primeiro álbum solo, ele dá as cartas: letras que sabemos de cor e melodias que iremos assobiar pelas ruas eternamente.

 

45) Marcelo Camelo – Toque Dela (2011)

Peço perdão aos seguidores da seita “Los Hermanos” por não eleger aqui um álbum da banda mas considero fundamental esse terceiro disco solo de Marcelo Camelo. Melodias irretocáveis, letras devastadoras e uma voz que atinge direto no coração, fazem desse álbum artigo de cabeceira para quem sabe amar.

46) Márcia Castro – Pecadinho (2007)

Quando me perguntam por cantoras novas eu logo digo Márcia Castro, uma baiana, transgressora, sexy e dona de um repertório irrepreensível. Não tem prá ninguém. Esse disco surpreende pelo olhar inesperado aos compositores do passado (Sérgio Sampaio e Jorge Mautner) e por trazer a nova música baiana longe dos axés (Luciano Salvador, é o cara). Ouça já e aprenda a ficar exigente com o que anda por aí.

47) Marcos Valle – Mustang Cor de Sangue (1969)

Compositor de todos os movimentos e estilos: bossa nova, samba, jazz e até jingles num homem só. Tudo com toque de mestre. 

48) Maria Alcina – Confete e Serpentina (2009)

Maria Alcina não tem medo de nada: é festiva, brega, sofisticada e corajosa. Sua música acompanha seu raciocínio: é livre, atual e irrestrita. Nesse disco ela mistura amigos novos e antigos num liquidificador de doido que é a sua cara. Louco é quem me diz que não é feliz. Maria Alcina é feliz.

49) Maria Bethânia – Drama 3º Ato  (1973)

Álbum emblemático da artista mais interessante da MPB. Misturando teatro e música, Bethânia é rainha soberana para sempre. E só.

50) Maria Rita – Maria Rita (2003)

O Brasil parou quando Maria Rita chegou ao mercado. Fila na porta da loja, fila na porta do show, fila no camarim. Eu estava em todas elas e não me arrependo. Seu primeiro disco tem conteúdo, emoção e novidade. Ainda tá valendo.

51) Marina Lima – Fullgás (1984)

Não adianta nem tentar: Marina Lima é, foi e sempre será a maior musa da música pop brasileira. Compositora inspirada, cantora de registro único, uma personalidade de arrasar. Escolhi esse álbum mas se eu fosse você procurava por todos.

52) Marisa Monte – Mais (1991)

Antes de se empolgar com muitas vozes femininas de hoje em dia procure pela musa inspiradora da maioria delas: Marisa Monte. Pedra de rumo fundamental da música brasileira que surgiu no início da década de noventa, Marisa é inteligente no que se propõe e dona de um talento único. Após um primeiro disco eclético, nesse segundo álbum ela começa a compor e fazer diferença.

53) Martinho da Vila – Canta, Canta, Minha Gente(1974)

Assim como João Gilberto inventou a batida perfeita, Martinho da Vila inventou o samba ideal: uma cuíca, letras maliciosas, uma ginga na voz e tá pronta a obra de um dos sambistas mais importantes do Brasil. Atenção para a faixa que encerra o disco Festa de Umbanda. Não tem prá ninguém

54) Maysa – Ando Só Numa Multidão de Amores (1970)

Um Cazuza de Saias. Uma Ângela Rô Rô muito à frente de seu tempo. Comparações para você entender que Maysa nasceu antes de todos, mas sua vida e obra servem para qualquer geração.  Aqui nesse álbum sua voz já não é mais a mesma, os arranjos tentam modernizar sua essência, mesmo assim é pra chorar de emoção.

55) Milton Nascimento – Minas (1975)

“A voz de Deus é a voz de Milton” assim Elis Regina definiu esse músico extremamente sofisticado que conseguiu chegar aos corações e mentes do mundo todo. Esse álbum mistura temas instrumentais, vocalises e letras feitas de imagens fortes e muitas vezes surrealistas. Uma jóia.

56) Moreno + 2 – Máquina de Escrever Música (2000)

A música jovem do Brasil andava chata e sem recado quando Moreno Veloso, Kassin e Domenico Lancelotti descobriram a nova pólvora: beats eletrônicos minimalistas, violões e letras desconcertantes. E nada mais foi como antes. Atenção para Deusa do Amor e Eu Sou Melhor Que Você.

57) Moska – Muito Pouco (2010)

Assim como acontece com o amor, o disco mais recente de um artista  costuma ser o nosso preferido mas dessa vez eu juro que é verdade: esses dois álbuns de Paulinho Moska definem de uma vez por todas suas qualidades de músico, cantor e compositor.

58) Ná Ozzetti – Ná (1994)

A mais completa tradução da vanguarda paulista. Cantora de timbre único que mistura em seu repertório a fina flor da paulicéia desvairada. Tá tudo aqui neste seu segundo disco solo.

59) Nana Caymmi – Voz e Suor (1983)

A voz que traz consigo “o som das águas” como diz Maria Bethânia, chega ao seu formato ideal nesse disco emocionante ao lado do pianista e arranjador César Camargo Mariano. Clássico dos clássicos.

60) Nando Reis – A Letra A (2003)

Nando Reis sempre foi o lado mais pop dos Titãs e o mais romântico também. Quando essas idéias deixaram de fazer sentido na banda ele se mandou para outros planetas e se deu bem. Letrista de primeira, encantou Marisa Monte e Cássia Eller que levaram suas canções para milhões. Dono de um estilo jovem insuperável, Nando dá um banho em muito “emo” que se leva a sério por aí.

61) Nara Leão – Nara (1964)

Em seu primeiro disco, a musa da bossa nova já mostrava que iria dar trabalho para quem a quisesse rotular. Foi para o morro carioca procurar compositores para formar esse repertório, bem longe do samba de uma nota só que anteriormente a traduzia. Corajosa e única.

 

 62) Ney Matogrosso – Bandido (1976)

Ney Matogrosso veio na contramão: visual inesperado, voz aguda num corpo masculino e uma inteligência musical que arremata tudo isso. Nesses tempos de frescura gratuita, Ney Matogrosso é um exemplo de contestação com conteúdo. Álbum que apresenta a diversidade musical usada por ele até hoje.

63) Novos Baianos – Acabou Chorare (1972)

Loucos, cabeludos e bem longe das regras estabelecidas, essa turma veio para fazer a diferença. Rock, forró, samba, bolero e outros ritmos nesse disco que é sempre o primeiro de muitas listas especializadas.

64) Paralamas do Sucesso – Selvagem ? (1986)

O rock brasileiro dos anos oitenta deixou muitos frutos consumidos até hoje, mas os Paralamas do Sucesso sempre foram os mais corajosos em termos de sonoridade. Quando o segundo disco cheio de baladas e guitarras apontava a fórmula do sucesso, eles trouxeram o reggae e o samba prá confundir a cabeça da galera. E acertaram em cheio. Um disco de consulta. 

65) Paulinho da Viola – Nervos de Aço (1973)

O aristocrata do samba. É único na mistura que faz: samba de raiz e poesia moderna. Uma discografia impecável. Eu escolhi um, mas você pode ir adiante e decidir por todos.

66) Rita Lee – Fruto Proibido (1975)

Houve um tempo em que fazer rock no Brasil era coisa de macho e não dava dinheiro. Quando Deus criou Rita Lee, as coisas mudaram. Gatinha manhosa, poderosa e corajosa, até hoje o Brasil não produziu artista igual. Esse álbum é o símbolo de toda uma geração.

67) Roberto Carlos – Roberto Carlos (1971)

A voz do Brasil. A música do Brasil. O sentimento do Brasil. Não dá para explicar o que somos sem uma canção de Roberto. Fundamental, pessoal e intransferível. É o álbum que tem Detalhes. Preciso dizer mais alguma coisa ?

68) Rosa Passos – Rosa Passos (2006)

A mais perfeita tradução de João Gilberto. Sua voz doce e suas divisões interpretativas fazem dela um orgulho nacional que os japoneses adoram. E nós também. Neste álbum aparece mais como intérprete mas sabe ser também uma compositora genial.

69) Sérgio Sampaio - Tem Que Acontecer (1976)

O poeta marginal que o Brasil insiste em querer esquecer. Sérgio Sampaio cantava o amor e as agruras desse país sempre em carne-viva. Atemporal, importante e genial.

 

 70) Silvia Machete – Bomb of Love (2006)

2 em 1 versão carioca. Uma louca que canta com uma pomba na cabeça e enrola um cigarro enquanto gira num bambolê, já valia contar nessa minha lista. Mas Silvia Machete é melhor que isso: dona de uma voz delicada e um repertório inteligente, ela sabe fazer barulho.

71) Silvia Telles – Amor em Hi -Fi (1960)

Quando o assunto é musa, a bossa nova tem vários nomes. Para mim, um só: Silvinha Telles. Com sua voz delicada, colocou definitivamente todos os clássicos do movimento em meus ouvidos. Sua morte prematura impediu uma discografia mais extensa, mas os que ficaram são definitivos, como este aqui gravado em 1960.

72) Simone – Pedaços (1979)

Antes de mergulhar nas águas perigosas do sucesso popular, Simone foi insuperável e sedutora em todos os sentidos: repertório irretocável, timbre inigualável e uma beleza de não se esquecer. Mate as saudades aqui.

73)Tim Maia – Tim Maia (1970)

Como explicar um gênio ? Tim Maia era um bicho solto. Adorava polemizar, dava trabalho para os íntimos mas de dentro de sua garganta saía música poderosa. Então vale tudo. Nesse álbum estão Primavera e Azul da Cor do Mar.

 

74) Tiê - Sweet Jardim (2009) / Thiago Pethit - Berlim Texas (2010)

Praticamente 2 em 1 . Duas novas promessas que já merecem figurar em qualquer lista fundamental da música brasileira. Thiago leva sua alma masculina para passear ao lado da doçura feminina de Tiê em dois trabalhos sinceros e vibrantes.

75) Vanessa da Mata – Essa Boneca Tem Manual (2006)

Apesar de figurar na lista das grandes cantoras do momento, Vanessa da Mata sabe correr por fora e manter sua personalidade musical intocada. Dona das letras mais inesperadas da nova música pop brasileira, ela arrasta multidões. Este  seu segundo álbum apresenta suas armas.

76) Virginia Rodrigues – Sol Negro (1997)

Dona de um registro operístico impresso num repertório popular, Virginia Rodrigues é uma força que nunca seca. Esse álbum supervisionado por Caetano Veloso traz pérolas do nosso cancioneiro iluminadas por uma voz de altíssima qualidade.

77) Wanderléa – Maravilhosa (1972)

Já cansada do adjetivo “Ternurinha da Jovem Guarda”, Wanderléa com o auxilio luxuoso do produtor Guilherme Araújo e do visionário Nélson Motta, faz um disco tropicalista, lindo, leve e solto. Pontapé inicial de uma discografia conceitual que ela produziu durante os anos 70.

 

 78) Wilson Simonal – Alegria, Alegria !!! (1967)

O homem que teve o Brasil nas mãos no melhor e pior sentido. Como cantor, arrastou multidões, como cidadão, teve o ocaso como companhia. Faça justiça com os próprios ouvidos: redescubra o som fundamental de Simonal. Comece por aqui,nesse disco  que mistura temas infantis com sambas de ontem e a malandragem de sempre.

79) Zezé Motta – Zezé Motta (1978)

“A negra foi obrigada ser recebida como uma grande senhora” como já dizia Jorge Ben na canção título do filme Xica da Silva que projetou Zezé para o mundo. Dona de uma voz poderosa e esbanjando sensualidade, tornou-se inevitável gravar esse disco naquele momento. Um clássico que misturava inéditas de Rita Lee, Luiz Melodia e Gilberto Gil.

80) Zizi Possi – Sobre Todas as Coisas (1991)

Cansada de obedecer a produtores insensíveis e fazer sucesso nas rádios com baladas previsíveis durante os anos oitenta, Zizi Possi reinventa o seu marco zero e vira uma das maiores cantoras do Brasil.