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Se Começou, Quem Quer o Fim ?

    Chegou o novo disco do meu poeta romântico preferido. Nando Reis pode ser roqueiro o quanto quiser, aqui em casa é o rei das baladas de amor inabaláveis e seu novo álbum, que tem o titulo minimalista “Sei”, está cheio delas. Verborrágico no melhor sentido, Nando prossegue com suas ideias harmônicas e destrói meu coração com suas palavras ora desoladas ora cheias de esperança sobre esse sentimento que (dizem) move o mundo.

    Nando Reis é um cara do seu tempo. Sua idade avança sem impedi-lo de estar conectado com os assuntos da atualidade. Pode soar como um estudante melancólico na porta da escola implorando carinho ao seu primeiro amor e na faixa seguinte ser o mais indignado dos cidadãos, com questionamentos sociais e políticos totalmente pertinentes e geniais sobre questões desse país que alguém disse que um dia ainda ia cumprir o seu ideal. E talvez esse lado contestador seja o que mais se aproxima de sua primeira raiz musical, uma árvore frondosa chamada Titãs que rendeu extraordinários frutos e que ainda causa sintomas de adoração e admiração por parte de muitos jovens que talvez não estivessem nem em projeto na cabeça de seus pais quando esse grupo cheio de atitude invadiu o Brasil.

    Durante os anos noventa, Nando Reis começou a dispersar no melhor sentido. Suas poesias e canções foram adotadas por Marisa Monte, seu individualismo musical começou a dar fortes sinais até que um dia...Cássia Eller. A dona da voz mais rascante e poderosa da música pop brasileira mostrava, desde o seu surgimento, uma inquietude que batia de frente com os grandes esquemas de gravadora e com os repertórios que queriam lhe impor. E foi assim que Cássia, entre erros e acertos discográficos, encontrou Nando pelo caminho e foram felizes para sempre. Intérprete ideal desse compositor mais-que-perfeito, os dois fizeram história. Com sua partida precoce rumo às estrelas, Nando se viu porta-voz de toda uma legião de adoradores de Cássia e fez bonito, arrastando multidões e mantendo sempre acesa a chama dessa voz que foi (é) sua maior fonte de inspiração. Em seguida, ele percorreu o Brasil jogando o leite brega na cara dos caretas, montando verdadeiros bailões populares, misturando Wando com Rita Lee e fazendo muito sucesso. Durante esse período eu fiquei quietinho no meu canto, ouvindo insistentemente seus álbuns autorais/meus discos de cabeceira: “Infernal”, “A Letra A” e “Sim e Não”. Até que agora, em 2012, finalmente entrou setembro e a boa nova chegou às lojas: Nando Reis e o seu “Sei” tocam incessantemente no meu Ipod e já ouso eleger aqui as minhas favoritas: “Declaração de Amor”, “Coração Vago” e “Ternura e Afeto”, títulos que falam por si e não deixam outra saída a não ser encerrar esse texto como comecei: Nando Reis é o meu poeta romântico preferido. Talvez o último, como diz aquela canção de Lulu.